08 de Julho de 2016

O discurso que mudou o mundo

Muitos fatos marcaram o ano de 1996. Dentre estes, o discurso que o presidente da SGI proferiu na faculdade de Pedagogia da Universidade de Columbia, em NY

Embaixador Anwarul Karim Chowdhury

Flagrante do seminário proferido pelo embaixador no auditório da Universidade Soka da América

O ano de 1996 ficou célebre pelo tema da ONU: Ano Internacional para a Erradicação da Pobreza cuja proclamação se deu durante a Assembleia Geral da ONU, em 21 de dezembro de 1993, e destinava-se a empreender o esforço concentrado dos países em programas comuns de debate e busca de soluções planetárias sobre este problema específico.


Mas também a humanidade ainda se ressentia de tragédias e catástrofes que marcaram o ano de 1995 – atentado de Oklahoma nos EUA, terremoto de Kobe, no Japão, o vírus ebola na África – o ano de 1996 já ia pela metade quando o mundo acadêmico foi literalmente sacudido com o discurso Educação para a Cidadania Global, proferido pelo presidente da SGI, dr. Daisaku Ikeda aos estudantes de graduação da faculdade de Pedagogia da Universidade de Columbia, NY. Especialmente para o BSGI Newsletter, o embaixador da ONU, Anwarul Karim Chowdhury, concedeu uma entrevista na véspera de sua participação no seminário intitulado O discurso que mudou o mundo, realizado no Soka Performing Arts, em Aliso Viejo, California, EUA.


A idealização deste evento ficou a cargo dos estudantes de pós, graduados este ano pela Universidade Soka da América, para marcar os 20 anos daquele célebre discurso.


“Em 1990 fui designado para ser embaixador da Unicef no Japão. Foi a primeira vez que tive contato com a SGI. Foi por intermédio do movimento feminino da Soka Gakkai que atuava junto à sociedade, visando conscientizar sobre os direitos das crianças e a igualdade de gêneros”, iniciou o embaixador Chowdhury. Disse ter ficado realmente impressionado com a organização, o empenho e a tenacidade com que aquelas mulheres disseminavam suas ideias. Sem manifestações agressivas, sem alardes públicos, armadas apenas com seu sorriso e sua paixão pelo ideal.


Foi quando se inteirou um pouco mais sobre o mentor de todas elas: Daisaku Ikeda. Primeiro lhe ofereceram um livro de poesias, depois viu as belíssimas fotos produzidas por ele e organizadas na exposição Diálogos com a Natureza. Ao ver as imagens, Chowdhury exclamou: “este é um homem de coração puro e bom”.


Em 1996, estiveram juntos no mesmo recinto, durante um evento organizado pela Unicef no Carnegie Hall, em Nova York. “Naquela ocasião lembro que nos cumprimentamos mas ainda não sabíamos com quem estávamos falando, embora já tivéssemos trocado correspondência”, contou.


Continuaram trocando correspondências esporádicas e a admiração e o respeito mútuos crescendo. Foi só em 2003 que o encontro real se deu. A Universidade Soka do Japão, homenageou o embaixador Chowdhury com um título de Doutor Honoris Causa pelos relevantes serviços prestados em prol dos direitos das crianças e igualdade entre os gêneros.


“Eu me lembro que encontrei o dr. Ikeda segurando a porta do elevador. Eu lhe disse para não se preocupar, mas na mesma hora abriu um largo sorriso e exclamou: ‘eu esperei muito tempo por este momento!’; e eu respondi: ‘o senhor tirou as palavras da minha boca...!’. Dito isso ambos rimos muito e sentimo-nos muito próximos. Desde então somos realmente bons amigos”, relembra o embaixador.


Em março de 2016 foi convidado para ser o professor orador da turma de formandos da Universidade Soka do Japão. Ele ressaltou que sua admiração pela Soka Gakkai advém de três pontos:



  1. Os esforços contínuos para a edificação de uma Cultura de Paz

  2. O ideal de se disseminar a ideia de uma Educação para a Cidadania Global

  3. Sua postura em prol da igualdade de gêneros – direitos das mulheres de todo o mundo


Sobre o seminário no qual estaria participando no dia seguinte, o embaixador Chowdhury ressaltou o quanto o texto do discurso do dr. Ikeda na Universidade de Colúmbia inspirou-o e vem lhe causando grande comoção ainda e, a cada nova leitura, novos e impressionantes significados irradiam em sua mente. “Eu li todas as propostas de paz que o dr. Daisaku Ikeda escreveu até hoje e releio-as toda vez que busco inspiração. O discurso de 1996 na Universidade de Columbia é uma obra a ser estudada em todas as universidades do mundo de todos os cursos. É um texto atemporal, único, singular!”, exclama.


O tema Cidadania Global era algo obscuro até então. Globalização era ainda algo nebuloso e quase sempre ligado a questões de mercado e ao capital. “Daisaku Ikeda ousou falar em educação para uma cidadania global em um mundo onde havia ainda a tensão oriente-ocidente e o médio oriente em conflito constante”, contou. Segundo ele foi como uma resposta a tudo o que o mundo buscava. Daisaku Ikeda enfatizou em seu discurso que cidadania global nada tinha a ver com o quanto uma pessoa tenha viajado, quantos países percorreu.


Tenho muitos amigos que talvez sejam vistos como cidadãos comuns, mas, na verdade, são pessoas que possuem nobreza interior, que nunca viajaram para além de sua terra natal, no entanto, preocupam-se genuinamente com a paz e a prosperidade do mundo.


O dr. Ikeda enumerou três pontos essenciais para a cidadania global:



  1. A sabedoria para perceber a inter-relação de todos os tipos de vida e ambiente;

  2. A coragem para não temer nem negar as diferenças, mas para respeitar e se esforçar para compreender pessoas de diferentes culturas e crescer por meio desses contatos;

  3. A benevolência para cultivar uma empatia imaginativa que alcance além do ambiente que nos cerca e se estenda a outras pessoas que sofrem em lugares distantes.


“O dr. Ikeda enfatizou que a inter-relação universal é o que constitui a essência da visão filosófica budista de mundo e é o que pode fornecer uma base concreta para o desenvolvimento dessas qualidades de sabedoria, coragem e benevolência”, citou o embaixador Chowdhury.


Finalizando, ele louvou efusivamente a grande e genuína diversidade cultural do Brasil. Ele crê que isso é o que nos distingue e dá verdadeiro significado ao que conceitua como Cidadania Global. “O Brasil é o grande esteio deste conceito, uma prova de que tal ideia é possível e pode realmente transformar o mundo em um lugar melhor e mais voltado à igualdade em todos os sentidos”, encerrou.


 


Um cidadão do mundo


Anwarul Karim Chowdhury nasceu em Bangladesh. É mundialmente reconhecido pelos relevantes serviços prestados ao reconhecimento dos direitos das crianças e igualdade de gêneros. Num discurso que fez em 2005, Chowdhury declarou uma de suas frases célebres: "Não devemos esquecer que, quando as mulheres são marginalizadas, há pouca chance de haver uma sociedade aberta e participativa”. Em sua função como embaixador cultural da Paz da ONU, declarou, em maio de 2010, que os esforços pela paz falharão continuamente até que as pessoas abracem a ideia de uma humanidade justa e igualitária.


Em 2002 foi nomeado sub-secretário-geral e alto representante para os Países Menos Desenvolvidos, Países em Desenvolvimento sem Litoral e Pequenos Estados Insulares em Desenvolvimento, pelo secretário-geral da ONU.


Durante seu mandato como representante permanente, desde 1990, Chowdhury serviu como presidente do Conselho de Segurança da ONU, presidente do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), diretor executivo e vice-presidente do Conselho Econômico e Social das Nações Unidas em 1997 e 1998.


É mestre em Artes e graduado em História Contemporânea e Relações Internacionais pela Universidade de Dhaka, Bangladesh. É colaborador regular de revistas internacionais sobre paz, desenvolvimento e direitos humanos, e um porta-voz da ONU em instituições acadêmicas e outros fóruns mundiais.


 

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