15 de March de 2021

Uma família Soka que cria valor!

Quando decidimos viver cada instante plenamente, com todas as nossas forças, para viver com fidelidade a nós mesmos e fazer brilhar o momento presente, descobrimos e produzimos uma força imensa e inimaginável. (Daisaku Ikeda)

Da esq. p/ dir.: Issamu, Sandra, Takeo, Kazuya e a caçulinha Nana

No lar: o ofício de professora nunca cessa

São três gerações de budistas na família de Sandra Kikuchi: os pais Odila e Nelson, e os filhos Kazuya, Takeo, Issamu e Nana. Todos são membros da BSGI e atuam em diversos grupos e nos núcleos de bairro; incentivando, motivando, ensinando e aprendendo. A história de Sandra e seus filhos ilustra a homenagem que a BSGI faz ao Dia Nacional da Escola e ao Eterno 16 de março – data em que se celebra a passagem do bastão do ideal de paz mundial, do mestre Josei Toda aos seus discípulos. Um gesto que tem tudo a ver com o simbolismo da Escola: um local para a criação de valores humanos.


 Professora por vocação


Quando criança a brincadeira que mais a encantava era de escolinha. Desde pequena Sandra já sonhava em se tornar professora. Porém a vida não é fácil e com ela vieram os primeiros empecilhos. Na adolescência, perdidamente apaixonada, engravidou de seu primeiro filho aos 16 anos, Kazuya. Logo vieram Takeo e Issamu e o fim do casamento algum tempo depois.


Perdida e sozinha, Sandra não teve outra alternativa e, com o coração partido por precisar deixar seus três filhos pequenos com os seus pais, partiu para o Japão, no auge da emigração dos dekasseguis[i]. Foram 14 anos de trabalho duro na terra do sol nascente. Mas, o que a movia, além do amor incondicional aos filhos, foi o sonho de infância, a prática budista e o apoio dos companheiros Soka do Japão.


A terra dos ancestrais lhe concedeu um novo presente: sua filha Nana, de um segundo relacionamento. As conquistas de seus filhos foram também um grande incentivo. Kazuya, o primogênito, conseguiu ingressar em um dos mais concorridos vestibulares do país: do Instituto Tecnológico da Aeronáutica – ITA. Kazuya fez questão de dizer ainda que sua mãe é uma pessoa extremamente dedicada aos filhos, à profissão e à BSGI. “É um grande exemplo pra mim!”, exclama. Quando ele cursava o 3º ano, já um oficial da Aeronáutica e recebendo salário, perguntou à mãe o valor da quantia que ela enviava ao Brasil mensalmente. Recebida a resposta de Sandra, Kazuya escreveu: “então você pode voltar, mãe. Já estou ganhando mais do que isso!”.


Sandra mal podia acreditar no que lia. As lágrimas escorriam-lhe pelas faces ao imaginar que voltaria ao seu país após longos 14 anos! Foi assim que em dezembro de 2012, aos 39 anos, retornou ao Brasil com sua filha de 5 anos. “Tenho pela terra do Sol nascente uma imensa gratidão, pois foi trabalhando lá que consegui criar meus filhos”, contou. Emoção pura quando retornou definitivamente e pode se reencontrar com os filhos – agora crescidos! – os queridos pais e amigos que não via há tantos anos.


Quando se deu conta do quanto seus meninos haviam se desenvolvido, tanto na vida pessoal e acadêmica quanto na organização de base da BSGI, seu coração inflou-se de orgulho. Todos os três atuavam com grande dedicação – nos estudos, no trabalho, na prática budista e na banda Taiyo Ongakutai. “Minha mãe é uma educadora humanista, perseguidora de seus sonhos e sol de minha vida!”, afirmou o filho Issamu.


Assim, munida de um profundo sentimento de gratidão, sentiu que deveria retribuir, contribuindo para que outras crianças igualmente se desenvolvessem. “Decidi que deveria me empenhar na criação de valores”, ressaltou. Percebeu então que era preciso se voltar à realização do sonho de infância.


Logo que se iniciou o ano de 2013, matriculou-se na faculdade de Pedagogia e determinou que faria em cinco anos o que não havia feito em quatorze. Paralelamente aos estudos foi trabalhar numa escolinha de Educação Infantil como monitora. No mesmo ano prestou o ENEM e, mesmo estando fora dos bancos escolares há tantos anos, conseguiu pontuação suficiente para uma bolsa de 100% do ProUni.


A partir daí a trajetória meteórica de Sandra foi se delineando. Ainda em 2013 prestou o primeiro concurso público municipal para auxiliar de desenvolvimento educacional e passou. Assumiu sua função e manteve-se firme nos estudos, dedicando-se ainda no crescimento e desenvolvimento da comunidade budista à qual fora nomeada líder do Núcleo Feminino. Sempre com o apoio dos pais, Odila e Nelson, seus grandes incentivadores. O casal abraçou o budismo quando Sandra ainda era uma criança. E, desde então, vêm se dedicando com total abnegação e empenho. Budistas de verdade, na melhor definição do termo.


Em 2015, “apenas para ver como era”, Sandra prestou o segundo concurso público, desta vez como docente. E passou!!! “Fui bem classificada e orava para não ser chamada antes de minha colação de grau. Realmente ‘não há oração sem resposta’, colei grau num dia e no dia seguinte assumi como docente. Isso aconteceu em julho de 2016. Fiquei imensamente feliz!!!! Meu sonho estava finalmente se realizando”, exulta a professora.


Terminada a faculdade de Pedagogia, iniciou imediatamente a pós graduação em Educação Especial. Aqui cabe um parênteses muito importante: quando ainda atuava como monitora de escola, teve a oportunidade de atender a um aluno muito especial. Luizinho (nome fictício) é um garoto que nasceu sem os braços e com pequenos tocos no lugar das pernas. Foi abandonado e, posteriormente, adotado por um rapaz muito sensível e bondoso. Sandra foi a tutora deste menino dos 5 aos 10 anos, o que a levou a buscar informações e formações suplementares com o desejo de melhor atender às necessidades de Luizinho. A pós em Educação Especial foi um dos caminhos escolhidos para obter a capacitação necessária para atender a este e a outros alunos no intuito de auxiliá-los a se empoderarem a despeito de suas aparentes limitações.


Desde que iniciou essa trajetória impressionante no magistério, Sandra também ingressou na Coordenadoria Educacional (Ceduc) da BSGI, como parte da decisão de retribuir à imensa gratidão que sente pelas conquistas, tanto as suas como as de sua família. O presidente da SGI, dr. Daisaku Ikeda diz que o propósito da Educação Soka é criar valor em escala global. “Dentro desse grupo somos capacitados a nos tornarmos profissionais capazes de atuar em todas as esferas da Educação”, enfatizou. Ela é hoje a coordenadora de um dos programas da Ceduc: a Academia Magia da Leitura do Núcleo Indaiatuba.


No livro “Educação Soka”, página 8, consta: “São as pessoas que pavimentarão o caminho do futuro de nosso mundo, e não há influência maior no desenvolvimento de um indivíduo que a educação sólida e centrada no ser humano. O saber é a força primordial que constrói a sociedade e molda a era. Essa fonte nutre e desenvolve o potencial infinito latente em todos nós, direcionando nossa energia para criação de valor.’’


E, finalmente, o 3º concurso público, agora para Coordenação Pedagógica, aconteceu em dezembro de 2018. E, em janeiro de 2021, Sandra foi chamada para assumir a coordenação de uma escola municipal de Educação Infantil! Em pouco mais de dois meses de trabalho já desfruta da confiança e da simpatia tanto da direção quanto da equipe. Foi tomada pela inesperada surpresa quando uma das inspetoras da escola lhe disse: “foi um presente a todas nós você ter vindo para cá!”.


“Só tenho a agradecer por essa grande oportunidade de levar os ideais da Cultura Soka a mais profissionais da Educação, alunos e suas famílias. E de colocar em ação a Educação Humanística com base no tripé da Educação Soka que é: Sabedoria, Coragem e Compaixão”, finalizou a educadora humanista Sandra Kikuchi.


 Reais valores humanos


Os filhos de Sandra são a prova de que uma educação humanística produz verdadeiros valores humanos para o mundo. São a comprovação viva do espírito do Eterno 16 de março.


Henrique Kazuya – Tem 30 anos e hoje é tenente da Aeronáutica mas que no fim do ano será capitão. Formado pelo ITA este ano foi transferido para a Base de Alcântara, no Maranhão. Já no Ensino Médio demonstrava grande aptidão para as Ciências Exatas, quando recebeu a medalha de ouro nas Olimpíadas Brasileiras de Matemática. É ainda faixa preta de Taekwondo.


Leonardo Takeo – Tem 26 anos e vive no Japão desde 2019. É um gênio autodidata da computação. Desde muito cedo desenvolveu esse dom e no dia-a-dia dedica-se a aperfeiçoar-se nessa área na terra dos ancestrais. Também é faixa preta de Taekwondo.


Raphael Issamu – Tem 24 anos e é sócio de uma startup que figura entre as 50 empresas desse tipo que mais se destacaram no país. Cursa Física na Unicamp e fez o técnico em Informática. Quando era funcionário de empresa chegou a ser disputado por grandes companhias da Europa e dos EUA.


Nathalia Nana – A caçula da prole tem 13 anos e cursa o 8º ano do Fundamental. Assim como os irmãos, têm um intelecto acima da média, tanto que sempre figura entre as melhores notas da escola. Quando cursou o 5º ano recebeu prêmio por ter obtido as mais altas pontuações. Detalhe: a escola que concedeu o prêmio teve a maior pontuação do IDEB (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica) do Estado de São Paulo e a 2ª do Brasil.


 






[i] Dekassegui é um termo formado pela união dos verbetes na língua japonesa 出る e 稼ぐ, tendo como significado literário "trabalhando distante de casa" e designando qualquer pessoa que deixa sua terra natal para trabalhar temporariamente em outra região ou país. O termo foi bastante utilizado ao longo dos anos de 1980 e 1990 quando centenas de milhares de brasileiros nipônicos fizeram o caminho contrário de seus antepassados, rumo ao Japão.



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